domingo, 13 de setembro de 2015

E assim definhou Abelterium…


Numa das três vias que ligavam Olisipo (Lisboa) a Augusta Emerita (Mérida), situa-se Abelterium (Alter do Chão), edificada pelos romanos.

Os seus ex-libris são o Castelo, mandado erigir por D. Pedro I, os exemplares arquitetónicos do renascimento, as casas apalaçadas e edifícios do estilo barroco, a Coudelaria de Alter, fundada por D. João V e dinamizada por D. José I. Aliás, era daqui o cavalo “Gentil” que serviu de modelo à estátua no Terreiro do Paço. Mais recentemente, a Estação Arqueológica de Ferragial D’El Rei.

E o seu imobiliário?

São casas abandonadas, de traça característica do Alentejo, com portas e janelas tapadas com tijolo, e uma zona industrial desocupada!

Como foi possível chegar a este ponto? Por razões que não estão diretamente ligadas ao imobiliário:

- Politicas públicas enganosas que levaram à destruição da Coudelaria de Alter;
- Promessas nunca cumpridas de construção da barragem do Pisão, que só é assunto do poder central em vésperas de eleições;
- Falta de concertação entre as obras do Estado e as obras Municipais, aliada ao acesso fácil dos fundos comunitários. Exemplo elucidativo foi a construção da Zona Industrial. Para a Zona Industrial funcionar, o IC 13 deveria ter estado pronto na mesma altura e não dez anos depois.
Ou seja, quando existia investimento privado mas não havia IC13, para facilitar o acesso e aumentar a sua atratividade. Quando apareceu a IC13, muitos anos depois, já não existia investimento privado.
- Aposta dos sucessivos executivos camarários na execução de habitação nova, ao longo dos anos 90 e início do novo século, só tardiamente invertida. É certo que as questões da reabilitação urbana só nos últimos anos foram moda.
- Estratégia inexistente de promoção turística do concelho

Como inverter a situação?

- Despolitização das questões que gravitam à volta da Coudelaria de Alter e investimento na sua reorganização e gestão. Investir na Coudelaria Nacional não é um investimento keynesiano. Representa vendas, representa internacionalização, representa turismo. Porque não a sua concessão a privados, por um período de tempo que assegure a sua rentabilidade, com um caderno de encargos exaustivo e exigente?;
- Construção da barragem do Pisão e irrigação das terras do norte alentejano. A freguesia de Seda, no concelho de Alter do Chão, é um exemplo de que a água é um fator de promoção da agricultura. Existem extensões imensas de olivais e de vinhas, também acompanhadas de uma unidade produtora de leite de nível internacional;
- Promoção de uma verdadeira estratégia para o turismo, conceção de eventos culturais que possam ter um efeito “âncora” e acabar com as festinhas de artistas de gosto duvidoso. É preciso procurar os turistas, chamá-los, e não esperar que estes se lembrem que Alter do Chão existe;
- Reabilitação do património imobiliário virada para o alojamento local.

E assim o imobiliário em Abelterium agradecerá!
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